17 agosto 2017

Algumas músicas

Ou uma historinha das músicas da minha vida.

Fiz uma mini-tag (é tag mesmo será? quais são os requisitos para ser tag?) para falar sobre musiquinhas da minha vida. Olha que orgulho de mim. Podem fazer, se quiserem. #blogueira famosa

Minha música preferida
Talvez pra muitos isso seja difícil, mas para mim não foi. Read My Mind, do The Killers, tem sido minha música preferida fazem uns 7 anos pelo menos. Amo a melodia, amo o clipe, amo tudo.

Oh well, I don't mind, you don't mind
Cause I don't shine if you don't shine
Before you go, can you read my mind?
It's funny how you just break down
Waiting on some sign
I pull up to the front of your driveway
With magic soaking my spine
Can you read my mind?
Can you read my mind?




Meu ultimo álbum preferido
O Melodrama, da Lorde. Gostei muito do primeiro album dela, mas para mim esse último foi demais. Cada música que eu ouvia eu pensava: acho que não gosto tanto dessa. E já estava dando repeat infinito. Não consigo nem escolher minha música preferida. 

They say, "You're a little much for me
You're a liability
You're a little much for me"
So they pull back, make other plans
I understand, I'm a liability
Get you wild, make you leave
I'm a little much for
E-a-na-na-na, everyone

The truth is I am a toy
That people enjoy
'Til all of the tricks don't work anymore
And then they are bored of me
(Liability - Lorde)





Ultima música preferida
Acho que seria Florence + The Machine. Acho que a Florence tem uma voz incrível e acho que os clipes dela são meio bizarros, mas de uma maneira boa. Ouvi Delilah uma vez e não me impressionei. Ouvi novamente e agora não largo. O clipe é meio creepy, mas eu gosto.

I'm gonna be free
And I'm gonna be fine
Maybe not tonight





Uma música que me anima
Acho que seria a Grace Kelly do Mika. Apesar da letra não ser muito animada, acho que é uma música que eu sei cantar e saio pulando e cantando feliz. Recomendo.


I could be brown/ I could be blue
I could be violet sky/ I could be hurtful
I could be purple/ I could be anything you like
Gotta be green/ Gotta be mean
Gotta be everything more
Why don't you like me?
Why don't you like me?
Why don't you walk out the door!



Uma música que me deixa na bad
Minha musica da bad (marca registrada) é a Free Bird do Lynyrd Skynyrd (alguém precisava avisar que não precisa usar tanto Y no nome né?) Eu adoro essa música, mas eu quase sempre fico na bad depois de escutá-la. Não sei se é a melodia, a letra, o que ela me faz lembrar. Um pouco de tudo.


If I leave here tomorrow
Would you still remember me?
For I must be travelling on, now
Cause there's too many places I've got to see
But, if I stay here with you, girl
Things just couldn't be the same
Cause I'm as free as a bird, now
And this bird you cannot change
And this bird you cannot change
And this bird you cannot change
Lord knows, I can't change




Uma cantora que eu gosto muito
MIA. A indiana que está se banhando no formol (ela tem quarenta anos gente!) é uma rapper demais. Não é o tipo de música que eu gosto muito, mas eu adoro as músicas dela. Ela canta sobre ser mulher, sobre violência, sobre a Índia, sobre refugiados. É a definição de girl power.

We know it ain't right, but we do it anyway
I think I wanna get a little active
There’s more to this than being your captive
New directions might need a little practice
I can make it little less destructive
You putting guards up
Outside my shop





Uma música que me lembra uma época especifica
Acho que Video Games da Lana del Ray, versão oficial me lembra a época da faculdade de Design. Me lembra de infinitas horas no ônibus, de amores impossíveis, de uma época que eu fico feliz de ter deixado para trás, mas ainda não superei completamente. Ela também me deixa um pouco na bad.

It's you, it's you, it's all for you
Everything I do
I tell you all the time
Heaven is a place on earth with you
Tell me all the things you want to do
I heard that you like the bad girls honey, is that true?
It's better than I ever even knew
They say that the world was built for two
Only worth living if somebody is loving you
Baby now you do



Covers que você ama
Amo muito o cover da Lucy Moon de Into You da Ariana Grande. Ela tem uma voz tão bonita e a música é meio crua, mas achei linda essa versão. Acho que foi removida por copyright (ugh), mas dá para achar o youtube pesquisando.
Outra que eu amo muito é da I Know Places da Taylor Swift, feita pelo Vance Joy.

Baby, I know places we won't be found in
And they'll be chasing their tails
Trying to track us down
Cause I, I know places we can hide
I know places, I know places
Just grab my hand and don't ever drop it
My love



Conheci recentemente e amei
Novamente no quesito voz deliciosa, letras bonitas e clipes bizarros: Bishop Briggs. Ela não tem muita coisa lançada, mas gostei de quase todas as músicas que ouvi. Ouçam: The Way I Do, River, Wild Horses e Dead Man's Arms.

Oh child, reaching for ya
Reaching for ya
Oh, but you will never know this love
Will never know this pain
Never know the way I feel for you
You will never know this touch
Will never know this shame
Will never know the way I want you to



E alguém ai, recomenda músicas legais? Músicas de bad? Músicas preferidas?

12 agosto 2017

Lidos: Julho (2017)

Mês de Julho foi um mês super legal de leitura. Rolou a MLI: Maratona Literária de Inverno, promovida (que chique!) pelo Vitor do Geek Freak. Basicamente a regra é: ler o máximo que você conseguir. Tem também uns desafios que eu cumpri todos - participei no nivel hard, porque qual a graça de fazer coisas fáceis risos.




#40 | Inferno no Colégio Interno | Lemony Snicket | PT | ★★☆☆☆
A timidez é curiosa, porque, da mesma forma que a areia movediça, pega as pessoas de surpresa, e, também como areia movediça, faz com que as vítimas olhem para baixo.
Essa série segue sempre uma fórmula. Isso não havia me incomodado até esse livro.
Os órfãos Baudelaire chegam em seu próximo lar horrível com adultos imbecis e abusivos, para morar num lugar ruim e o conde Olaf vai aparecer disfarçado para tentar roubar a fortuna dos órfãos e é claro que ninguém vai saber que é o conde Olaf.
Talvez eu tenha lido esse livro num dia ruim, porque ele me irritou bastante. Gostei bastante dos dois trigêmeos Quagmire, achei uma quebra pequena na fórmula e na grande massa de pessoas ruins que existem nesse universo. Mas o resto foi meio ok? Eu já sabia o que ia acontecer. Todos sabemos.
E eu sei que os livros são para crianças, mas ao mesmo tempo que ele aborda temas sombrios (morte por incêndio, assassinato, pessoas tentando roubar a fortuna das outras e regras gramaticais) ele ao mesmo tempo subestima crianças de entender coisas simples.
Tô ranzinza. Espero que o próximo livro seja um pouco melhor, porque ainda temos oito pela frente.


#41 | Matéria Escura | Blake Crouch | PT | ★★★★☆
Eu suponho que ambos estamos apenas tentando lidar com quão horrível o infinito realmente é.
Esse é aquele tipo de livro que você fica louco querendo saber o que vai acontecer e não consegue largar até terminar. Comigo foi assim, quase literalmente. Terminei o livro em algumas horas e negligenciei tudo o que eu tinha que fazer. Valeu a pena.
O livro fala de Jason, um cara normal, vivendo com sua mulher e filho. Ele é professor universitário, mas poderia ter sido um grande cientista. Sua mulher também era uma artista que poderia ter feito muito sucesso. Mas os dois tiveram que abdicar as ambições para cuidar do filho que quando recém nascido teve vários problemas de saúde. Um dia Jason é sequestrado por um estranho mascarado. Quando ele acorda, ele está cercado de pessoas que ele não conhece - mas que o conhecem. Ou mais ou menos. Para eles, Jason é um cientista muito bem sucedido e brilhante. Ele só não é casado. E não tem filho. E nessa o Jason precisa entender o que aconteceu: se é uma pegadinha muito boa ou ele está ficando louco e imaginou toda uma vida?
Todos nós já nos perguntamos "e se?". E se eu tivesse continuado com aquela pessoa? E se eu tivesse mudado de trabalho? E se eu morasse fora?
Como eu já disse, achei essa história sensacional. Ela me parece muito um filme sabe? A escrita é bem informal, há muitas frases de uma linha e muitos diálogos, o que dá uma sensação de rapidez na leitura. Você fica querendo saber o que aconteceu e mais importante, o que vai acontecer.
Achei que a primeira parte foi um pouco previsivel mas do meio do livro em diante eu achei sensacional. Muitas vezes eu não conseguia parar de virar as páginas para saber como aquilo ia terminar e cada vez mais a história de desdobrava de jeitos que eu não previa.
Eu só não sei direito se é um livro que eu iria reler. Como todo bom suspense ele perde um pouco a graça depois que você sabe como termina.
Uma nota: a tradução está um pouco meia boca. Não sou de ficar notando muito, mas tem muitas frases que estão estranhas e outras traduzidas literalmente. Tipo "i got this" (que seria um "deixa comigo) para "eu tenho isso".

#42 | Hinterkind | Ian Edginton | PT | ★★☆☆☆
Essa HQ é uma mistura de distopia com fantasia e eu achei que era uma ótima premissa. Depois que os humanos são quase extintos pela Peste e a natureza começa a tomar conta das cidades, outras criaturas fantásticas de contos de fadas, lendas e mitos voltam para tentar reconquistar seu espaço de direito.
Enquanto a premissa é legal, acho que ficou tudo meio jogado. Acompanhamos três núcleos e acho que isso ficou um pouco demais pro formato de HQ.



#43 | Northanger Abbey | Jane Austen | EN | ★★★★☆
“There is nothing I would not do for those who are really my friends. I have no notion of loving people by halves, it is not my nature.”
Meu livro do desafio: Escrito por uma mulher.
Que livro amorzinho gente. Temos aqui Catherine Morland, uma moça de seus dezessete anos que ama ler romances (no sentido de livros e não romances românticos). Super esperta né? Acontece que naquela época ler livros que não fossem técnicos, cheios de informação, não era considerado uma coisa boa.
Quando os vizinhos mais bem abastados a levam a Bath, ela conhece um mundo diferente do seu próprio, cheio de bailes, danças, livros e novos conhecidos. Lá ela conhece Henry Tiney, um moço super simpático e sua irmã, Eleanor, que moram na Abadia de Northager.
Os famosos romances góticos são alvos de critica da escritora neste livro: as situações mirabolantes e macabras que eles narram são alvos de chacota. Em um ponto da história, a Cath está tão imersa e tão doida das ideias com esses livros, que só pela menção do General Tilney estar sozinho com sua mulher quando ela morreu, ela já tinha certeza absoluta que ele tinha matado a moça ou que ela estava confinada em algum canto da abadia.
Ela também é super inocente em vários outros pontos da vida, a ponto de não perceber pessoas flertando na sua frente ou os avanços de homens indesejados. Por mais que dê raiva eu lembrei de mim mesma. Somos duas tapadas.
O final foi um pouco... anti climatico?, achei que poderia ter sido melhor, mas ainda assim gostei tanto quanto o único outro livro que li dela: Orgulho e Preconceito.

#44 | Aniquilação Jeff VanderMeer | PT | ★★★★☆
Afastei esse absurdo da mente; algumas perguntas podem nos destruir por dentro se a resposta nos for negada por tempo demais.
Meu livro do desafio: Com menos de 200 páginas.
Li o livro em quase que uma tacada só, porque assim como Matéria Escura, ele faz você virar e virar páginas até você chegar no final.
Aqui conhecemos a bióloga ou Pássaro Fantasma, um apelido carinhoso que seu marido deu à ela. Ela e outras três mulheres vão a área X, um lugar secreto e envolto por uma fronteira que o separa do mundo "normal". Elas fazem parte da décima segunda expedição, fazendo parte de um grupo seleto de pessoas que entraram nesse lugar, incluindo uma expedição que cometeu suícidio em massa, outra em que os membros atiraram uns nos outros e outra nas quais os membros voltaram ao mundo normal sem ideia de como isso aconteceu e também mudados de alguma forma.
Enfim, o livro trás vários mistérios e nos convida a desvendá-los. Além dessa curiosidade, também tem uma atmosfera de thriller e um pouco de terror, principalmente quando algumas coisas bizarras começam a acontecer.
Eu não sei se gostei desse livro, essa é a verdade. Talvez eu tenha gostado ou eu seja apenas curiosa demais para largar alguma coisa que eu ainda não entendi.
Fiquei curiosa para ler as continuações, mas fico com o pé atrás de o final ser meio "meh".

#45 | O Grande GatsbyF. Scott Fitzgerald | PT | ★★★★★
Em meus anos mais vulneráveis de juventude, meu pai me deu um conselho que jamais esqueci:
- Sempre que tiver vontade de criticar alguém - ele disse -, lembre-se de que ninguém teve as oportunidades que você teve.
Meu livro de desafio: se passa em uma época importante.
Tentei ler o Grande Gatsby na época em que o filme estava para ser lançado e desisti. Na época eu não me interessava por narrativas sem romance bonitinho, heroínas salvando o mundo e outros clichês do YA. Alguns anos depois eu não gosto mais dos mesmos temas.
Então o Grande Gatsby veio novamente para minhas mãos e eu tentei o ler novamente. E dessa vez eu amei. A história já é bem conhecida: Nick Carraway é de uma família proeminente do Oeste dos Estados Unidos e vai à Nova York para tentar a vida na grande metrópole. Ele aluga uma casa modesta em um bairro de mansões luxuosas. Ali ele reencontra sua prima Daisy e o marido Tom. Mais tarde conhece o famoso Gatsby, um homem que dá festas luxuosas para qualquer um que apareça, regadas a muito jazz e álcool (o que na época era proibido pela lei seca). Ele e Daisy tiveram uma história juntos, mas a falta de dinheiro de Gatsby na época não permitiu que os dois ficassem juntos.
O livro faz críticas ao consumo desenfreado, o materialismo e ostentação que marcou os anos vinte. Gatsby esbanja dinheiro, se tornou um self-made man por meios duvidosos, dá festas todas as noites para que aquela mulher que mora do outro lado da baía o note. Daisy é materialista e muitas vezes dissimulada. Ela não ficou com Gatsby quando ele não tinha dinheiro, algo que ela dá muito valor. Tom é o típico americano ignorante que temos imagem. Ele é racista, misogeno e hipócrita. Tem casos extra conjugais e se opõe à qualquer liberdade das mulheres.
O Grande Gatsby é um pouco de tudo. Fala sobre o romance, sobre a projeção de sonhos e idealização de pessoas. Fala sobre como viver sua vida tentando agradar os outros ou uma pessoa em especial pode ser perigoso e te deixar com nada no final. Sobre amizade verdadeira e interesses, sobre amor e a morte.



#46 | American Gods | Neil Gaiman | EN | ★★☆☆☆
“All your questions can be answered, if that is what you want. But once you learn your answers, you can never unlearn them.”
Meu livro de desafio: livro que tem críticas ruins.
Vou ser sincera que to lendo esse livro desde O ANO PASSADO. Na verdade eu li até uns 60% do livro e tava muito devagar e falei "depois eu continuo" e nunca continuei. Ele tem resenhas ruins e por isso decidi que era hora de terminá-lo nessa maratona. Fico bastante chateada porque esse é um livro que "poderia ter sido". Fantástico, criativo, melhor livro. Enfim. Poderia ter sido, mas não foi.
Aqui seguimos Shadow, um ex-presidiário que é solto alguns dias antes de sua sentença porque sua mulher morreu num acidente. Depois disso, meio sem rumo, ele conhece o Wednesday, um senhor estranho que oferece um trabalho para ele que é bem estranho também. Logo descobrimos que esse senhor é um deus e esta tentando juntar vários deuses antigos para lutar contra os novos deuses que estão surgindo e planejam retirar esses deuses antigos da mente das pessoas e com isso, os matar.
Esse é um livro que é meio ame ou odeie. É bem raro um meio termo. Enquanto eu gostei muito da premissa, dos personagens, achei a narrativa, principalmente no meio/final bem arrastada. Nada acontece e o que acontece é bem irrelevante para a história no geral.
O Shadow é quase que engraçado de tão sonso, é uma sombra mesmo. Num determinado momento a mulher dele conta uma coisa pra ele, que é bem chocante e ele responde algo como "putz". Sério.
O Wednesday é super engraçado, assim como o Sr. Nancy (o Anansi. Já li o livro com os filhos dele.).
No fim acho que se ele tivesse sido escrito mais sucintamente dava pra ter tirado um proveito enorme deles.

#47 | Northern Lights | Philip Pullman | EN | ★★★★★
“You cannot change what you are, only what you do.”
Meu livro de desafio: livro que você comprou pela capa.
Eu não comprei esse livro exatamente pela capa, mas comprei essa edição pela capa.
Eu também não sabia muito bem do que o livro falava, sabia que as pessoas tinham um demon, que é tipo um animal que é a alma dela, tinham ursos polares e a Nicole Kidman era a vilã no filme (que eu não vi até o final acho).
Só que a história é tão mais legal do que isso. Desde o primeiro capitulo ficamos sabendo que existe o Dust (Pó? Pela referencia bíblica eu diria que é isso.) e ele afeta de alguma maneira as pessoas. Algumas crianças começam a sumir. Tem a universidade de Oxford. Gente, que demais!
O livro fala muito sobre religião, sobre alma, sobre bem e mal, sobre pecado, tudo contado pelos olhos da Lyra, uma criança de uns onze anos. Gostei especialmente como o autor explica o mundo e os demons conforme a história vai andando e não explicando tudo bonitinho. No começo tudo fica jogado na sua cara, mas incrivelmente não te deixa perdido na história. Você vai aprendendo aos poucos como tudo funciona e tá tudo bem.
De vez em quando a história conta o ponto de outros personagens, que faz com que saibamos um pouco mais sobre a história e sobre a própria Lyra, o que nos deixa mais curiosos sobre como aquilo vai se desenrolar. Fiquei meio desanimada no começo com o arquétipo do The Choosen One, mas parece ser um pouco diferente.
A Lyra é inocente e muitas vezes comete erros, mas gostei muito disso nela. Apesar de não ser a mais brilhante ela tem aquele jeitinho de quem aprende as coisas na marra e precisa se virar. Adorei os gypitians, principalmente o Farder Coram. E o Iorek. Queria o Iorek pra dar um abraço. O final foi tão triste, mas me deixou animadíssima para ler a continuação.

#48 | Iracema José de Alencar | PT | ★☆☆☆☆
Meu livro de desafio: livro nacional.
Tive que ler esse livro para o colégio e lembro que desisti na época. E por desistir eu digo: li uma página e larguei. Sei disso porque eu tinha marcado a página que eu parei. Risos. Pensei que dessa vez eu, muito mais lida e muito mais culta, adoraria o livro. Risos.
Não que ele seja um livro ruim. A história é cheia de símbolos e críticas aos portugueses e a colonização do nosso país sem qualquer estima pelas pessoas que já estavam aqui antes ou a cultura delas. Mas a linguagem. Como diriam meus conterrâneos paulistanos: mano do céu. Além de ser ultra descritivo, além do necessário, na minha opinião, é uma linguagem antiga. Só que vendo resenhas, descobri que até na época em que foi publicado haviam críticas a linguagem do livro.
Acho meio estranho lançar um livro com uma linguagem completamente fora da realidade, mas ainda assim, cá estamos em 2017 ainda falando dessa virgem dos olhos de mel. (Aliás, me surpreendi com a quantidade de vezes que o autor conseguiu escrever a palavra "virgem" por página.)
Talvez eu ainda não esteja preparada para isso. Talvez eu nunca esteja.
Fiquei interessada em ler a edição da Panda Books, que parece bem legal e menos chata do que a original.



#49 | Wintersong | S. Jae-Jones | EN | ★★★★☆
“Life,” he said softly, “is more than flesh. Your body is a candle, your soul the flame. The longer I burn the candle...” He did not finish.
“A candle unused is nothing but wax and wick,” I said.“I would rather light the flame, knowing it will go out than sit forever in darkness.”
Meu livro de desafio: livro que você não sabe muito sobre.
Estava de olho nesse livro fazia um bom tempo, mas só pela capa. Sim, a capa é linda. Todos julgamos livros pelas capas. Enfim.
Descobri que a história fala sobre a Liesl ou Elisabeth, uma menina/mulher com seus dezenove anos, vivendo com sua família num vilarejo do que me pareceu a Alemanha. A moça vive nas sombras do irmão mais novo, um talentoso violinista e de sua irmã mais bonita. Ela é uma filha dedicada e não é egoísta em quase nada. Até que sua irmã é levada pelo Rei dos Goblins, que procura uma esposa, e Liesl se oferece como tributo em seu lugar.
Até quase o fim, eu não sabia se tinha gostado muito do livro. A escrita é muito bonita. A autora escreve de um jeito poético mas não a ponto de fazer umas metáforas bizarras. Ainda assim, ela escreve com muitas metáforas e explicações de música e partituras. Não sei o que as coisas significam nem em português, imagina em inglês. Creio que uma pessoa que entenda o que significa C menor e outras expressões musicais se divirta muito mais que eu. Aliás, isso atrapalhou um pouco, porque ela diz coisas assim e eu ficava: ok, mas isso é bom ou ruim? Me senti lendo inglês pela primeira vez, exceto que dessa vez eu não podia jogar no google e falar "ok, isso significa isso".
O romance também é um pouco estranho, mas creio que isso se deve ao desenvolvimento lento.
O final ficou aquele gosto meio amargo na boca? Num ponto da história estão contando histórias e surge a pergunta: Does this story have a happy ending? You'll have to tell me. E essa é meia a ideia. Não dá pra saber se é feliz ou não.

#50 | Ms. Marvel: Apaixonada | G. Willow Wilson | PT | ★★★★★
- Mio Ragazzo, você acabou de cair na zona da amizade.
- Amizade não é uma zona, seu idiota! Amizade é algo real e bom e qualquer um que não entende isso precisa de um dicionário.
Meu livro de desafio: livro com pontuação no título.
Esse era o único "livro" que eu tinha com pontuação no título. (Isso é o tipo de coisa que só se repara quando você faz uma maratona literária).
Enfim. Amei muito esse volume? Foi o meu preferido até agora. A Kamala está treinando seus poderes, está interagindo com outros personagens do universo da Marvel. Aliás, eu fiquei meio perdida, porque o Loki apareceu aqui, mas aparentemente ele virou um mocinho? Eu super queria que tivesse um guia de "onde começar a ler" e o que você precisa ler para entender as histórias.
Mas voltando: amo as alfinetadas que essa história dá? Não só em preconceitos religiosos, mas também em coisinhas estúpidas e machistas como a famosa friendzone que significa: eu queria que a moça fizesse sexo comigo mas ela só queria ser minha amiga. Genial.
Acho que essa foi meu volume preferido - queria que Kamala Khan e Ms. Marvel ganhassem o prestígio que merecem.

E foi basicamente isso. Vou ser sincera que depois disso estou um pouco de ressaca literária. E gostei de participar de uma maratona, acho que participarei novamente no verão.


05 agosto 2017

It's just another graceless night

(ou: uma surra de fotos)

No começo do ano eu passei uns dias em Curitiba com minha mãe. Quando comecei esse post, ele ia falar dia a dia o que eu fiz, o que eu gostei, o que não gostei, enfim, um guia da minha viagem. Mas a verdade é que eu me lembro poucas coisas dessa viagem. Minto. Me lembro de coisas que eu senti e impressões que eu tive, mas o que mais me marcou foi que essa viagem foi meu pico de ansiedade.

Eu fiz essa viagem "forçada", já que a alergia voltou no começo do ano e meus pais me fizeram tirar um tempo para descansar. Mal sabem que essa viagem foi tão estressante que me deixou mais doente que antes.

Muitas pessoas falam que são ansiosas. Acho que sentir ansiedade por uma coisa que vai acontecer seja boa ou ruim é normal. O problema vem quando essa ansiedade começa a aparecer em momentos que ela não deveria estar presente. Ou quando um pequeno problema se torna uma bola de neve na sua cabeça e você sente uma pressão no peito e não consegue respirar. Ou quando você sabe que precisa tomar uma atitude, fazer alguma coisa e a única coisa que você faz de fato é deitar - sem nem mesmo conseguir dormir, porque pra você sofrer você precisa estar acordado.

E eu sinto uma raiva descomunal de quando as pessoas falam que são muito ansiosas, risos, até demais, nossa, deveria tomar um remedinho, quando ela parece tão normal ou feliz. Então fico pensando se eu passo essa mesma vibe de que sou feliz e bem resolvida e desencanada quando de vez em quando sinto vontade de chorar na frente do computador do trabalho e colocar todas as minhas coisas no carro e ir embora pra sempre.

A viagem se resumiu a andarmos e andarmos e no tempo em que não estávamos andando eu estava deitada na cama do quarto de hotel pensando que tudo aquilo era um erro. Como eu tinha escolhido um hotel num lugar errado e perigoso, como eu tinha escolhido passeios errados, como eu era estupida por sentir medo de dirigir sozinha e estava gastando dinheiro com uber sem necessidade.

As vezes a ansiedade também te faz ver as coisas por um angulo diferente, um filtro distorcido da realidade. E como eu disse, a marca que ficou em mim não foi uma de finalmente conhecer um lugar que eu queria a muito tempo, de estar viajando e sem trabalhar um pouco, de me dar um descanso merecido depois de passar um ano infernal fazendo tcc. Ficou a marca daquelas tardes aonde eu não tinha força para fazer nada.

Com uma nova viagem se aproximando, esses sentimentos voltam novamente. As infinitas perguntas sem resposta. E se alguma coisa der errado? E se a gente se perder? E se a gente não conseguir se entender com as pessoas? E se minha amiga não gostar do roteiro que eu fiz? E se eu escolhi tempo demais?

O fato é que todas essas perguntas tem respostas simples. Se der errado nós tentamos achar uma solução. Se a gente se perder tem google maps e perguntar para pessoas. Eu sei bem espanhol e deveria ter confiança em mim mesma. Se ela não gostar, ela deve aprender a fazer roteiros e não deixar as coisas na minha mão. Pode até ser. E ainda assim é um tempo que eu posso usar para fazer o que quiser, explorar uma outra cidade ou sentar e tomar café em algum lugar o dia todo se eu quiser.

Mas é claro que é fácil pensar isso enquanto eu estou sentadinha em frente ao computador. É um exercício diário se lembrar que tudo vai ficar bem e transformar seus pensamentos. Andei pesquisando um pouco sobre isso e recebendo ajuda da terapeuta. Quanto mais você pensa negativamente, mais você vicia o seu cérebro a pensar assim e mais as coisas ruins acabam acontecendo. Sou uma pessoa um pouco cética, mas estou me esforçando para mudar.

E estou me esforçando ao máximo para lembrar coisas boas. E as fotos até que me ajudam muito.



































09 julho 2017

Lidos: Junho (2017)

Junho foi um mês bem legal de leituras - um monte de leitura legal. Quase sempre mantenho o ritmo de seis livros por mês, o que eu acho bem alto pelo tempo que eu tenho. Mas vamos aos livros:



#34 | Smoke and Mirrors | Neil Gaiman | EN | ★★★★☆
Mrs Whitaker found the Holy Grail; it was under a fur coat.
Eu fiquei bem receosa de começar esse livro, visto que minha última experiencia com um livro do Gaiman foi bem ruim. Fiquei bastante surpresa por ver que esse é muito bom e inclusive inédito no Brasil.
Acho que os contos aqui tem uma pegada mais fantasiosa e mesmo os que são contemporâneos tem uma pitada de realismo mágico. Acho que todos os contos foram muito legais de ler, mesmo os que eu não gostei. A maioria do que não gostei são em formato de poesias e eu achei meio cansativo. Ainda assim não senti vontade de pular.
Uma velhinha que encontra o Santo Graal no meio de um brechó e não quer dar a um cavaleiro que buscou por ele a vida toda porque fica bonito como decoração de vovó (Chivalry), um anjo caído contando sua história como detetive do céu, um moço que odeia viagens caindo num vórtice com algumas criaturas estranhas (Murder Misteries), um escritor que está em Los Angeles para escrever um roteiro para uma adaptação de um de seus livros (The Goldfish Pool and Other Stories), uma história sobre um casal que recebe um presente de casamento peculiar (The Wedding Present), a busca por uma moça que tem sempre a mesma aparência (Looking for the Girl), uma pessoa que quer matar outra, mas descobre que é mais barato matar mais algumas num pacote (We Can Get Them for You Wholesale) são minhas preferidas.
Adoro como o Neil Gaiman mistura temas perturbadores com um humor que te faz pensar se você realmente poderia estar rindo sem ser uma pessoa horrível (provavelmente não).

#35 | Em Algum Lugar Nas EstrelasClare Vanderpool | PT | ★★★☆☆
(...) os desesperados, digamos, por aquilo que acham que procuram, normalmente estão bem longe do que de fato estão procurando. É verdade, também, que às vezes eles não estão procurando nada, mas fugindo de alguma coisa. 
(...) 
- Mas, em algum momento, aquilo de que eles fogem os persegue até não haver mais para onde fugir.
Sinto que talvez eu seja a ultima pessoa no mundo a ler esse livro.
A história segue Jack, um menino órfão de mãe que é levado para um internato pelo pai que voltou da guerra e não sabe como lidar com um filho quase estranho. Nessa escola, ele encontra Early, um menino estranho e abandonado depois da morte do pai e do irmão. O menino é estranho e cheio de manias, como organizar balas de goma de certa maneira para se acalmar ou pensar e ouvir algumas músicas em certos dias. E sua busca pelo Pi, o número irracional que segundo ele só está perdido.
A narrativa tem uma certa beleza e a mensagem é sim uma gracinha. Perceber que todos carregamos nossos fardos nem sempre é mais fácil que julgar e sentir pena de si mesmo.
Ainda assim eu não gostei muito da maneira como a história se encerrou. Eu achei que ela iria por uma linha muito mais realismo mágico com paralelos sobre a jornada dos meninos em busca do Pi e a própria história do Pi que Early diz que consegue ver nos números e toda a mensagem. Achei que o final foi forçar um pouco a barra e fez perder um pouco da mágica.
Mas no final das contas é uma história bonitinha.

#36 | The Well of AscentionBrandon Sanderson | EN | ★★★★★
"Yes, well," Elend said, "I kind of lost track of time..."
"For two hours?"
Elend nodded sheepishly. "There were books involved."
Sabe quando você lê 400 páginas e percebe que ainda falta metade do livro? Gente, fazia tempo que eu não lia um livro tão longo.
Não que isso seja um problema: a narrativa e a escrita do Brandon Sanderson são tão gostosas que fazem a gente nem perceber que já passaram tantas páginas.
Eu tive alguns problemas no começo do livro: eu já tinha lido o primeiro livro O Império Final fazia um tempo e ele possui muito vocabulário próprio do mundo e muitos personagens. Pra ajudar, eu ainda li em português, o que fez com que eu precisasse dar uma estudada nos termos de vez em quando para me lembrar de tudo.
Aqui continuamos um ano depois dos eventos do Império Final, aonde Elend está tentando fazer um governo justo pra todos em Luthadel. Já Vin esta preocupada em proteger seu rei de qualquer inimigo que apareça, que nesse caso são dois exércitos que chegam nos portões da cidade.
A gangue está formando planos para como ajudar na situação enquanto as brumas começam a aparentemente matar pessoas quando antes eram inofensivas.
Esse história me faz perceber o quão bem projetada ela foi antes de ser escrita. Eu gosto demais quando algum detalhe do primeiro livro da série é explicado lá pra frente e faz muito sentido. Meu lado de escritora fica super feliz com isso porque odeio quando as séries jogam um monte de pistas e depois não conseguem explicar.
Os personagens continuam humanos: com falhas porém amáveis.
Essa é uma série muito boa mesmo: tem ação, tem drama, tem romance, tem mistério, tem amizade, tem o pacote completo. E melhor de tudo é que o Brandon Sanderson não demora anos pra escrever as continuações (cof cof Patrick Rothfuss).



#37 | O Alquimista | Paulo Coelho | PT | ★★☆☆☆
- Estou vivo - disse ao rapaz, enquanto comia um prato de tâmaras na noite sem fogueiras e sem lua. - Enquanto estou comendo, não faço nada além de comer. Se estiver caminhando, apenas caminharei. Se tiver que lutar, será um dia tão bom para morrer como qualquer outro.
Paulo Coelho é o jiló da literatura brasileira. A maioria diz que não gosta, mas nunca leu. Eu sempre tive um certo preconceito com ele por causa disso, sempre achei que era bem ruim mesmo sem nunca ter lido uma página de sua escrita. Resolvi mudar essa situação lendo o livro mais famoso dele, O Alquimista.
O livro segue Santiago, um espanhol pastor de ovelhas que sai por ai buscando sua grande Lenda Pessoal. Apesar desse livro ser descrito como ficção, ele é um livro de auto-ajuda. E não é um bom livro de auto-ajuda, porque ele subestima a inteligencia do leitor e quer explicar tudo, sem deixar muito espaço para a reflexão, que na minha opinião é uma coisa boa da auto-ajuda.
Eu sinto que esse livro seria muito melhor se ele fosse uma ficção de verdade, com um arco narrativo bem construído, com personagens cativantes, com uma escrita boa. A história em si, o arco do personagem e as mensagens são bem válidas e interessantes - eu gostaria muito de ler uma história dessas, aonde eu torcesse pelo Santiago e pela sua jornada, aonde eu me apaixonasse por Fátima por ver o quão incrível ela era, mas tudo isso não mascara nem um pouco que aquele é um livro que quer te passar uma mensagem.
A escrita não ajuda também. O Paulo Coelho escreve diversas frases bonitas e coloca tudo junto e finge que isso é escrever um livro. Se você for olhar pelo lado "citacionável" da coisa, é um livro ótimo. Aliás, você pode tirar toda a história e só colocar as citações bonitas e motivacionais em tópicos e provavelmente perderia uns 10% do livro.
Eu sempre tento tirar algo das leituras, por mais que eu não goste. Nesse caso deu sim para refletir sobre algumas coisas, sobre o medo de seguir algo que você quer por causa dos obstáculos. Mas não me inspirou.
Não sei se tentarei ler algo do meu quase xará de sobrenome novamente. As vezes as pessoas realmente não gostam de jiló.

#38 | Histórias de Sherlock Holmes | Arthur Conan Doyle | PT | ★★★★☆
Foi numa tarde de domingo no início de setembro no ano de 1903 que recebi uma das mensagens lacônicas de Holmes:
Venha já se conveniente - se inconveniente venha também.
S. H.
Eu amo essa coleção da Zahar de clássicos de bolso e quero ter todos, mas ainda não li os que tenho em casa, então resolvi ler todos antes de continuar a coleção.
Esse é um livro de várias histórias do Holmes, os últimos casos dele, inclusive. O livro reúne 12 casos resolvidos dele junto com seu companheiro, Watson.
Sempre que eu leio os livros do Sherlock Holmes eu me impressiono com como a personalidade do Sherlock dos livros é completamente diferente das adaptações (tv, filmes, enfim). Enquanto as adaptações quase sempre mostram um Sherlock  rude, arrogante, cheio de si, o Sherlock dos livros é um recluso e um pouco estranho, mas nunca é uma pessoa ruim com as outras ou sem educação.
O John Watson também é bem diferente nos dois casos: quase sempre ele é retratado como incapaz, mas de bom coração, enquanto nos livros ele é um ajudante de verdade do Sherlock, mesmo não entendendo sempre a linha de raciocínio dele.
Os dois tem respeito um pelo outro e são muito amigos. Em um dos contos o Watson é ferido e o Sherlock fica em pânico, mostrando quanto realmente se importa com o companheiro. Não que as mudanças sejam uma coisa ruim, mas elas são tão diferentes que sempre que eu volto para o Sherlock da literatura eu tomo esse pequeno susto.

#39 | As Duas Torres | J. R. R. Tolkien PT | ★★★★☆
- Quando é que fui apressado ou descuidado, eu que esperei e me preparei por tantos longos anos? - disse Aragorn.
- Nunca ainda. Então não tropece no final da estrada - respondeu Gandalf.
Voltando para minha leitura do Senhor dos Anéis, comecei o livro As Duas Torres, o segundo da trilogia.
Até voltei atrás pra ver como foi minha reação a ler o primeiro livro e acho que nada mudou muito. A escrita do Tolkien continua sendo algo que me incomoda muito. Percebi que a diagramação da edição que eu tenho também não contribui. A história é interessante, agora Boromir morre e a comitiva se separa.
Na primeira parte acompanhamos a comitiva separadamente: Aragorn, Gimli e Legolas estão seguindo os orcs que os atacaram e levam de refém seus amigos, Pippin e Merry. Os dois passam por vários problemas com os orcs que tem ordens de levar os hobbits para Saruman.
A história do Tolkien - do Senhor dos Anéis pelo menos - me lembra uma estrada com vários caminhos saindo dela e quando você está caminhando pela estrada você saí dela um pouco, vê o que tem no caminho e então volta. Nem sempre ele se relaciona diretamente (ou de qualquer maneira) com a história principal. O que pode fazer você perder um pouco a paciência na hora da leitura.
Na segunda parte vemos o Frodo e o Sam, rumando para Mordor por um caminho que eles não conhecem e arrumando um guia bem inesperado - Gollum (ou Smeagol).
Lendo o livro eu só conseguia pensar que tinha muito mais por trás daquilo tudo do que eu estava entendendo. De fato toda a mitologia que o Tolkien construiu é muito rica, cheia de simbolismos que nem sempre dá pra pegar se você não pensar bastante sobre aquilo ou ler algum texto de apoio.

11 junho 2017

buying ban: maio/2017 (01/06)


Saldo do mês:


O que eu comprei

- Cheirinho para o carro
- Meia-calça de lã
- Blusa térmica (substitui pela blusa que queria da lista)
- Segunda pele (substitui pela blusa que queria da lista)
- Hidratante (substituindo o que acabou)
- 1 legging (na lista)
- 1 porta livros

O que eu queria ter comprado

- Muitos livros, em especial: Cem anos de solidão, Y: O Ultimo Homem Volume 3, o resto da série napolitana da Elena Ferrante.
- Um oxford muito bonitinho


Aqui fica o registro do meu primeiro mês nos meus seis de buying ban. Posso falar que foi muito difícil? Mais do que eu achava que ia ser?

Aliás falhei no primeiro dia. Fui no supermercado com mamãe e compramos um peixe que veio PODRE (foi o pior cheiro que já senti na vida e olha que já fiquei na marginal pinheiros num dia de sol). Ai voltamos e ganhamos um vale para trocar. Minha mãe comprou umas coisas e sobrou um tanto. Rodamos a loja pra ver o que achávamos e peguei um cheirinho pro carro, porque desde que comprei o carro queria ter um cheirinho e nunca comprei. No final, gastei 3 reais e depois que coloquei no carro lembrei que eu não podia ter comprado aquilo. Isso foi dia primeiro de Maio. Risos.

Acho que serviu pra eu perceber que muitas vezes eu comprava coisas sem perceber. Passa o cartão, tira nota da carteira. Pronto. No final vi que eu tinha zero consciência das minhas compras.

A parte difícil: eliminar influencias externas. Eu comecei a tirar qualquer loja que me mandava email (inclusive amazon) com promoções e produtos. Só que eu percebi que essa é só uma pedrinha de gelo do iceberg gigante que é nossa cultura de consumo. É blog que você entra te vendendo coisa sem você saber, é canal de youtube fazendo haul de tudo que você imagina e amigos recomendando tal coisa.

Um dia eu abri o instastories e vi uma moça que sigo, falando que uma loja no shopping estava em promoção de sapatos. Ai ela mostrou um oxford lindo, que eu queria muito, pela metade do preço. Meu primeiro pensamento foi: quando eu for no shopping comprar presentes eu dou uma olhada. Ai eu parei e lembrei que não podia comprar.

É engraçado essa sensação que senti logo depois: um mini pânico de que eu estaria perdendo aquilo e talvez eu deveria comprar, afinal quando ia ter promoção mais uma vez? Então eu lembrei: eu não preciso de um sapato novo.

Outra coisa, a mais difícil, foi me controlar para não comprar livros. Eu li "O Amor nos tempos do cólera" e queria ler os Cem anos de solidão do Gabriel Garcia Maques. Mas fiquei me controlando para não comprar, porque eu não podia. Eu quase comprei numa loja física, cheguei a pegar na mão e fui buscar o preço. Apenas 75 dinheiros. Larguei em uma prateleira. Pelo menos não comprei.

Nossa mente já é programada pra consumir e se a gente não se esforça pra perceber, é capaz de sucumbir aos desejos.

Uma das coisas que eu comprei, pois não foi por impulso e também acho que não entra no quesito "coisas": passagem de avião e hospedagem no chile! Eu e minha prima estávamos pensando em ir pro chile nas férias dela e acabamos fechando. Fizemos tudo bem economicamente: comprei as passagens com pontos e só paguei as taxas. A hospedagem vai ser num airbnb e gastamos 400 reais cada uma para dez dias.

Acho que a viagem vai me ajudar, pelo menos até final de Agosto a economizar. Principalmente porque eu preciso guardar dinheiro para ir pra lá tranquila.

Outras coisas que comprei fora do planejado: meia de fleece (que tem pelinho dentro) e blusas térmicas. Eu aproveitei para comprar para viajar, pois minha prima vinha me visitar e só precisaríamos ir na loja uma vez. No começo já pensei: preciso comprar duas segunda pele, duas térmicas, uma calça térmica, luvas. E só usar quando fosse viajar.

Ai me perguntei:
1) Pra que tudo isso? Eu poderia usar uma segunda pele apenas e uma blusa térmica. De noite eu tiro e deixo arejando. E eu comprei uma meia calça fleece pra não ter que comprar uma calça térmica. No pior dos casos, se eu sentir muito frio, posso comprar uma calça lá.

2) Porque esperar pra usar? Eu sei que a gente não quer estragar as coisas, mas se elas fossem de qualidade eu poderia usar e elas não estragariam (fora que a gente já pega as "manhas" da roupa, vê com o que fica melhor, etc).
Também decidi que eu só compraria se eu pudesse de fato usar com minhas roupas normais. Nada super colorido para neve que eu ia usar uma vez a cada três anos.

Aí como comprei essas blusas, risquei da minha lista a blusa de frio que tinha me planejado para comprar.

Ou seja: foi difícil. Eu comprei coisas fora do que precisava e da lista também.

De impulsiva comprei o cheirinho do carro e o porta livros de quando fui no castelo rá-tim-bum. No segundo, fiquei com medo de não poder comprar de outro jeito (não conseguiria mesmo). Mas também não precisava, porém estou me forçando a usar de qualquer jeito haha.

E infelizmente eu percebi que gastei muito com saídas para comer, principalmente porque recebi visitas, saí com amigas, fui passear, enfim. Quando é dessa parte de sair, normalmente eu não controlo porque gasto pouco, ou seja, acabei gastando muito. E eu percebi que tenho dificuldade em falar não pras pessoas, principalmente quando eu não vejo essas pessoas a muito tempo.

Ai também veio outro gasto alto: renovar carteira de motorista. Esse era um gasto completamente não planejado pois: achava que faltavam anos pra vencer haha. Se não tivessem mandado carta eu ia ficar ANOS dirigindo com a habilitação vencida. Mas renovei e menos 150 reais no meu bolso. Ouch.

No fim das contas, não posso falar que eu fui super bem sucedida, mas também não posso falar que eu falhei totalmente. Comprei zero livros esse mês e pra ser sincera, já não fico a louca das lojas online e chorando que quero comprar tudo.

Sinto que a alguns meses atrás eu daria ombros, falaria "at least i tried" e me recompensaria gastando todo o salário em livros e coisas que não preciso. Mas eu fiquei contente com esse mês, porque apesar de falhar, eu aprendi muito sobre mim mesma e quero muito ser bem sucedida no mês de junho. Então vamos continuar.


05 junho 2017

It's like forgetting the words to your favorite song








Outro dia, passando pelo twitter, vi uma booktuber que eu sigo, postando sobre como uma autora (que ela gosta) viu a luz e não é mais amiga de uma outra autora (que ela detesta). Essa e outra moça não perdem a oportunidade de alfinetar essa tal autora que elas odeiam. Vi uma que quase não leu um livro que ela amou porque tinha uma indicação da tal autora.

Já tinha visto essa implicação e ficado muito brava, mas dessa vez, a única coisa que consegui pensar foi: Que perda de tempo, passar horas seguindo e buscando sobre uma coisa que você não gosta.

É bem engraçado isso, como a gente gosta de alimentar esse ódio que sentimos por algo. Eu percebi que mesmo me irritando pelas atitudes das pessoas, de blogueiras, influenciadores, celebridades, amigos, família, eu gostava de seguir a pessoa, ver ela fazendo uma coisa que eu não gostava e ainda ficar reclamando sobre isso.

Fiquei pensando quanto tempo a gente não perde com isso, com coisas tão desnecessárias para a nossa vida, quando podíamos estar atrás de algo que a gente gosta, que faz bem pra gente ou que nos faz feliz. É claro que é gostoso falar mal e reclamar, mas e aí? Pra quê isso serve?

Não posso falar que eu não faço isso jamais, que eu sou um ser iluminado que não fala mal de nada e de ninguém, que só gasto meu tempo com coisas produtivas. Ainda estou num processo de mudança, mas só de não sentir raiva da moça, de pensar que aquilo era bem inútil e que ela podia estar fazendo outras coisas mais legais, eu vi que também não estou igual era a um tempo atrás.

E isso tem me incomodado bastante, não só na internet, mas na vida em geral. Percebo que passo muito menos tempo reclamando de algo e simplesmente ignorando quando eu posso. Que eu não entro mais em conversas e evito pessoas que amam falar mal uma das outras e prefiro ficar na minha.

E eu sinto que isso tem me ajudado bastante a viver uma vida melhor. Percebi que passava muito tempo com essa negatividade sempre comigo. Que eu ficava com medo dessas pessoas que falavam mal de todo mundo, poderiam também falar mal de mim.

Como eu disse, eu não sou uma santa que mudou completamente e nem quero ser. Mas fico feliz por pensar que esse ano está sendo maravilhoso e que minha vida está mudando tanto assim.

(Post espontâneo que nasceu quando eu devia estar fazendo faxina no quarto e as respectivas fotos da faxina. Algumas coisas nunca mudam.)

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