12 novembro 2017

Lido: Outubro (2017)


Adoro fazer coisas temáticas, mesmo que sozinha. Em março resolvi ler só mulheres e agora em outubro resolvi ler livros de terror, crimes e "assustadores". Li quatro livros (tinha me proposto a ler também Frankenstein e Misery, que estão parados aqui, mas não terminei) com essa proposta e um quinto porque quem escreveu foi a Maggie Stiefvater. Li também o maior livro que eu já li na vida.



#63 | The Language of Thorns | Leigh Bardugo | EN
“This goes to show you that sometimes the unseen is not to be feared and that those meant to love us most are not always ones who do.”
   Comecei esse mês por esse livro que é uma coleção de contos-fábulas da Leigh Bardugo, mais precisamente do universo Grisha, que os livros dela se passam. Não é necessário ler nenhum outro livro dela para entender esse.
   São seis histórias, todas com um toque de conto de fadas sombrio. Elas são de diferentes partes do mundo e tem haver com aquela região (então uma região marítima tem lendas sobre seres marítimos). E as ilustrações. Elas vão preenchendo a página conforma a história avança e são tão lindas e cheias de detalhes que dá vontade de colocar na parede.
   Sobre as histórias: elas tem um quê de conto de fadas e até dá para traçar um viés com nossos contos de fadas. A Bela e a Fera, João e Maria, A Pequena Sereia (só consigo pensar em ah que pena seria) são alguns que dá pra lembrar. Só que tudo isso com um toque meio macabro e lições completamente diferentes das originais. Adorei.
   A escrita da autora continua melhorando a cada livro que ela lança. Estou ansiosa para os próximos lançamentos dela.

#64 | Assassinato no Expresso do Oriente | Agatha Christie | PT
"O impossível não pode ter acontecido, então o impossível deve ser possível apesar de todas as aparências. "
   Esse era o último livro que eu tinha da Agatha Christie para ler na minha estante e com certeza foi o melhor que eu li. Acho que esse e o "E Não Sobrou Nenhum" são os dois melhores livros dela que eu li, seguidos de longe pelos outros. A mulher realmente merecia os títulos de rainha do crime. Vou pesquisar outros livros dela para ler.
   Aqui temos outra aventura de Hercule Poirot, dessa vez um caso não solicitado. Enquanto ele faz uma viajem no famoso Expresso do Oriente a caminho da Europa, um assassinato é cometido enquanto o trem está parado por conta da neve, e ele acaba tendo que dar um jeito de solucionar o caso antes de chegarem na fronteira.
   O número de personagens desse livro foi grande, mas por sorte tem um mapinha com lugares do trem, nome de personagens e ocupações, então era só dar uma olhadinha quando eu me perdia.
   Eu adoro ler sobre romances policiais porque eu nunca acerto quem é o assassino. Eu sempre mudo de ideia a cada pista nova e dessa vez não foi diferente. Mas foi. Só quem ler o livro vai entender mais ou menos. Se você quiser ler um livro da Agatha Christie, recomendo esse com certeza. Vi que vai ser lançado um filme, mas pelo trailer parece bem diferente do livro. E tem o Johnny Depp (ugh). Ou seja, acho que não vou ver.

#65 | A Classic Crime CollectionEdgar Allan Poe | EN
   Depois li uma coletânia de contos e poemas do Poe. Para ser sincera, não foi tão bom quanto eu esperava. Acho que entender poemas em inglês, ainda mais com uma linguagem mais antiga, foi bem difícil e ainda não foi pra mim.
   Já alguns contos foram meio "ok"? Já tinha lido outros contos do Poe de uma edição antiga da minha mãe, mas não me lembrava o quão creepy o autor consegue ser. Não acho nem assustador, é uma coisa que você olha e pensa "esse cara com certeza tem alguns probleminhas na cabeça". Está muito mais para macabro do que para medonho.
   Queria a edição da darkside para comparações (claro haha). #mepatrocina




#66 | IT - A Coisa | Stephen King | PT
- Você sempre fala com bueiros, moço? - perguntou o garoto.
- Só em Derry - disse Bill.
   Tinha esse livro aqui desde o ano passado. Passando pela livraria do shopping um dia, vi que esse livro estava em promoção e acabei comprando. Cheguei em casa super animada para ler e li o prólogo, onde o pequeno Georgie tem seu encontro fatal com A Coisa dentro do bueiro. Calmamente coloquei o livro de volta na estante e só voltei a tirá-lo para eventuais limpezas. Mas esse ano, depois de ver o filme, decidi tentar ler o livro. É claro que uma das coisas que me impediam de ler era o tema: sou muito medrosa e fico remoendo aquilo por dias sem conseguir levantar de madrugada para ir no banheiro. E o outro fator, é claro, foi o tamanho. MIL E CEM páginas. E eu achando que Anna Karenina tinha sido longo. Só que ao contrario de Anna Karenina, essas mil e cem páginas não são tão pesadas.
   Talvez todos saibam a sinopse, mas lá vai: Na cidade de Derry coisas muito bizarras acontecem. Muitas crianças somem e tem mortes terríveis, entre eles, o irmãozinho de Bill Gago, Georgie. Ele e seus amigos são constantemente visitados por uma Coisa, algo que assume a forma do medo das crianças e as mata. Vinte e sete anos depois o ciclo de matanças começa novamente. Bill e o resto da clube dos otários precisa voltar a Derry e cumprir o pacto que fez de impedir a Coisa.
   O livro vai alternando entre a versão adulta e a infantil de nossos protagonistas, entre a primeira vez que encontram A Coisa e quase trinta anos depois, quando precisam enfrentá-la novamente.
   Acho que por ter visto o filme, que é só a parte da infância, achei fácil de identificar os personagens. Aliás, a primeira parte começa na vida adulta, e foi interessante ver como aquelas crianças do filme e suas vivencias tinham se transformado em pessoas crescidas.
   O livro não foi tão assustador quanto eu esperava. Ou melhor, a Coisa nem é a parte mais assustadora desse livro e sim toda a situação daquela cidadezinha e dos personagens. Homofobia, racismo, preconceitos, bullying (do tipo pesadíssimo).. Enfim, são coisas que te pegam de surpresa e assustam mais do que um monstro (quando você é adulto).
   A história toda é muito legal, você se sente parte do grupo e sente medo por eles e quer descobrir as coisas junto com eles. A escrita do Stephen King é muito boa. Muito mesmo. Ele tem um talento para escrever diálogos que é inacreditável. Ele realmente é um ótimo escritor e as mais de mil páginas não são difíceis de ler.
   Porém achei que a resolução ficou meio bosta. O "Sobre a escrita", o Stephen King diz que não planeja os livros, que apenas senta e escreve e não gosta da ideia de planejar o que vai acontecer numa história. Sinceramente? Acho besteira, principalmente porque acontecem essas coisas onde o final fica meio sem pé nem cabeça. E falando no final desse livro, tem uma cena MUITO tensa mesmo, não de medo, mas de nojo. Não sei como um editor leu esse livro até o final e pensou "nossa, essa cena foi totalmente necessária e nem um pouco inapropriada, acho que deu a medida certa nesse livro". Se você já leu você sabe qual que é (e se não leu e quer saber, é só procurar por "that it book scene" que você fica sabendo).  Talvez se o King sentasse e planejasse bem o final e a resolução não ia ser tão ruim o final, o que é bem triste porque a qualidade da escrita e da história é muito boa.

#67 | All The Crooked SaintsMaggie Stiefvater | EN
“I was looking for a miracle, but I got a story instead, and sometimes those are the same thing.”
   Desde que a Maggie - muito intimas - disse que iria lançar esse livro, fiquei me coçando para comprar. The Raven Cycle é uma das minhas séries preferidas de todos os tempos e a escrita da autora é uma delicia.
   O livro conta a história do povoado de Bicho Raro - o lar da família Soria. Os Sorias são uma familia um pouco diferente: fugidos do México, eles encontraram Bicho Raro e realizam milagres nos peregrinos que os buscam. Um dos membros da família, o Santo, recebe estas pessoas que desejam de livrar de sua escuridão e então realiza o milagre. Porém o milagre, na verdade, são dois. O primeiro milagre, feito pelo Santo, realiza mudanças físicas na pessoa e na maioria das vezes não é o que se espera. Então a pessoa precisa entender aquilo e seguir em frente, realizando seu próprio milagre.
   Esse primeiro milagre tem haver com os medos e com a "escuridão" desta pessoa. E eles vão desde coisas "óbvias", como o padre atraído por meninas novas que fica com a cabeça de lobo, ou o locutor de rádio que odeia sua fama e tem medo de ser visto comendo, ficar com seis metros de altura, até outros mais misteriosos, como a menina que tem borboletas no vestido que não conseguem voar porque estão muito molhadas da chuva que caí constantemente sobre a mesma menina.
   Seja como for, muitos desses peregrinos passam anos ali, sem conseguir realizar o segundo milagre. Os Soria, perseguidos por uma maldição que diz que se ajudarem os peregrinos, direta ou indiretamente, terão suas próprias "escuridões" mostradas para eles, os ignoram e continuam suas vidas complicadas.
   Eu adorei os personagens. Os três primos "principais": Joaquin "Diablo Diablo", Beatriz "a menina sem coração" e Daniel, o Santo atual, são muito legais, mas apenas os dois últimos são mais explorados. Temos também Pete, talvez a única pessoa que vai até Bicho Raro sem procurar um milagre.
   Esse livro estava causando um pequeno alvoroço antes mesmo de ser lançado. Estou começando a pegar um ranço o Goodreads e do Tumblr, porque quase sempre as pessoas fazem muito alvoroço sem nem saber direito sobre o que. A polemica em questão é a talvez "apropriação cultural" que a autora teria feito da história de mexicanos por não ser mexicana.
   Creio que não foi uma apropriação cultural, mesmo sendo latina, mas eu entendo porque algumas pessoas ficariam chateadas. Acho que no geral, essa decisão de escrever uma história sobre latinos, apenas deixou a história meio rasa. Há coisas sobre culturas que não dá para ser entendida depois de ler alguns livros. É preciso vivenciar as coisas para talvez entender. E, durante a leitura, eu não senti esse entendimento, essa profundidade.
   A autora poderia ter contado a história com uma família de outra cultura e acho que seria mais significativo - afinal toda cultura tem suas versões de milagres e santos. E no final, a conclusão da história ficou meio apressada.
   Me senti meio frustrada porque estava com expectativas altíssimas para este livro. A história segue um rumo legal, mas não foi nada que eu achasse espetacular.



15 outubro 2017

Lidos: Setembro (2017)

Uma pequena história: eu comecei a ler o segundo livro dessa lista (O Rei do Inverno) lá em Julho. Li quase até a metade, mas percebi que não conhecia quase nada da lenda de Arthur. Conhecia o filme da Disney (mais ou menos) e alguns personagens. Mas me senti meio perdida. Então achei o livro O Rei Arthur na estante e comecei a ler, pra que eu tivesse uma base melhor para os personagens. Fim da história.
E esse mês eu parei de dar estrelinhas para os livros. Parte porque sempre foi uma coisa meio aleatória, apesar de eu tentar manter uma ordem. Acho que não dá pra colocar os sentimentos entre 0-5. Por isso faço esses textões.



#56 | O Rei Arthur | Howard Pyle | PT
Assim Griflet foi sagrado cavaleiro e, montado em seu corcel, partiu direto para sua aventura, muito alegre e cantando puro deleite. E foi naquele instante que Sir Myles morreu de seus ferimentos, pois muitas vezes a morte e o sofrimento vêm a alguns ao mesmo tempo que outros riem e cantam de pura esperança e alegria, como se coisas tão dolorosas como a tristeza e a morte jamais pudessem existir no mundo em que vivem.
   O Rei Arthur é provavelmente o rei mais famoso da história, mesmo que ele seja apenas fictício. Quer dizer, algumas pessoas ainda falam que ele pode ser uma pessoa que existiu de verdade (cai numa espiral de pesquisas no google sobre isso). O fato é que, se existiu, provavelmente não foi muito parecido com as lendas, isso inclui este livro, que é dividido em duas partes: a primeira conta sobre Arthur, como ele nasceu, como se descobriu rei, como encontrou Excalibur (que, pasmem, não é a espada tirada da pedra), como encontrou sua esposa. A segunda parte fala sobre três de seus homens "notáveis": Merlin, Sir Pellias e Sir Gawaine.
   Acho que esse é um ótimo livro para quem, como eu, não conhece nada da lenda de Arthur. Ele é contado em episódios sobre determinados eventos (como Arthur virou rei, como ele consegui Excalibur, etc) e por isso não tem um grande arco narrativo: você não fica esperando para ver o que acontece, você já sabe o que vai acontecer já que o resumo do capitulo fala o final.
   Os capitulos sobre os cavaleiros foram os mais chatos, talvez porque eu não conhecia e nunca tinha ouvido falar dessas pessoas, tirando Merlin. Aliás, o capitulo dele talvez seja o mais legal do livro, apesar de ter seus problemas. Por exemplo: ele é "seduzido" por uma moça de quinze anos, sendo que ele é um mago velho. Além disso ser creepy as fuck, temos outro problema: a maneira como as mulheres são mostradas. É claro que, se tratando de uma obra datada, não dá para cobrar representatividade e girl power. Mas percebi que mesmo os vilões homens são horados, cavaleiros e mesmo sendo maus, tem suas virtudes. Já as mulheres, tanto Morgana quanto Vivien, são mostradas como traiçoeiras, sem honra e vingativas. Acabou cansando um pouco.
   Fora que histórias em formato de lenda não são minhas preferidas. Acho que acaba ficando quase sempre com aquele ar de conto de fadas onde tudo é bonito e ninguém morre.

#57 | O Rei do Inverno | Bernard Cornwell | PT
Mas o destino, como Merlin sempre nos ensinava, é inexorável. A vida é uma brincadeira dos Deuses, costumava dizer Merlin, e não existe justiça. Você precisa aprender a rir, disse-me ele uma vez, ou então vai simplesmente chorar até morrer.
   Acho que ter lido o outro livro foi uma ótima decisão, só para ter certeza do quão incrível esse livro foi. O rei da ficção histórica (ou é o que a internet me diz), Bernard Cornwell, pega a lenda de Arthur e a conta de maneira realista, quase te fazendo ter certeza que tudo aquilo realmente ocorreu.
   Nesse livro, a magia não passa de uma superstição na cabeça das pessoas. Aliás, o livro também não se passa na época de cavalaria, mas numa época mais antiga, quase feudal. A Britânia está sendo invadida pelos saxões e os próprios reinos brigam entre si, o que de fato aconteceu. E no meio disso tudo, nasce o neto e herdeiro de Uther, o grande rei: Mordred, um bebê deficiente. Então o rei pede a alguns cavaleiros honrados, incluindo seu filho bastardo, Arthur, para fazer um juramento de proteger o pequeno até que ele possa reinar.
   As diferenças entre os contos das lendas e esse livro são gritantes. Aqui ninguém é bom ou mal. Estão todos tentando sobreviver, cometendo erros e lutando. O nível de violência no livro acaba sendo bem grande, mas não senti que nada foi gratuito. Tem menções e consequências de estupro sempre, e eu achei bem pesado.
  A história aqui é narrada pelo Derfel, um saxão que foi capturado quando criança e desde então foi criado por Merlin. Junto dele e Merlin estão Nimue (que no outro livro é chamada de Viviane) e Morgana. Enquanto a primeira é amante e aprendiz de Merlin, Morgana é uma feiticeira tão poderosa quanto Merlin (novamente lembrando que tudo o que acontece de magia é superstição dos personagens, um conjunto de rituais e encantamentos não reais). Só que Derfel está escrevendo sua história junto a Arthur depois de muito tempo, quando já tem uma idade avançada e virou cristão. Me lembrou um pouco de "O Nome do Vento" do Patrick Rothfuss, porque dá pequenos detalhes de coisas que acontecerão no futuro e te deixam com mais vontade de ler.
   E os personagens não podiam ser mais diferentes do que das lendas. Merlin aqui tem um objetivo fixo de achar os tesouros e por mais que goste muito de Arthur, não deixa que nada atrapalhe o seu objetivo e ele acaba sendo maldoso em muitas partes. Morgana tem um papel de menos destaque, mas não é traiçoeira e sim muito leal ao rei Uther (seu pai) e seu irmão. Nimue e Derfel foram os meus preferidos. Os dois tem muitos defeitos e os dois sofrem muito. E Arthur. Arthur é um dos personagens mais legais desse livro. Ele tenta ser honrado, bravo e destemido, mas nem sempre é possível. Muitas vezes ele comete erros e se culpa, sendo a culpa dele ou não. E mesmo sendo um personagem querido e respeitado, muitas vezes as pessoas do livro não confiam tanto assim nele e não estão dispostas a segui-lo de qualquer maneira.
   Em linhas gerais: leiam esse livro. Já vou pegar o segundo livro da série assim que possível para ler.

#58 | O Incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação | Haruki Murakami | PT
De julho do segundo ano da faculdade até janeiro do ano seguinte, Tsukuru Tazaki viveu pensando praticamente só em morrer.
   É um pouco difícil falar sobre esse livro. A história de Tsukuru é bem simples: no ensino médio, ele possuía um grupo de amigos inseparáveis. Todos eles possuíam alguma referencia a cor no nome (Azul, Vermelho, Preta e Branca), menos Tsukuru, o incolor. Ainda assim, eram todos muito amigos, até que um dia no seu segundo ano da faculdade, quando volta para sua cidade natal e liga para um dos amigos e é informado que eles não podem mais ser amigos. Ao questionar porquê só recebe a resposta: "Você sabe porque". E então anos de amizade acabam sem a menor explicação.
   A narrativa se passa anos depois, quando uma namorada de Tsukuru diz a ele que deve buscar respostas, porquê esse fato deixou uma cicatriz muito grande nele.
   Algumas coisas que eu gosto nesse livro: o tema de solidão e abandono, a falta de auto estima e o que isso pode causar numa pessoa e nas relações dela, mesmo depois de mais velho. Achei que a descrição de solidão vivida por Tsukuru é real e palpável. Você se sente como ele, abandonado e sem saber bem porque. Como uma pessoa que não tem muitos amigos, eu me relacionei muito.
   Algumas coisas que eu não gosto: um das explicações mais importantes do livro me deixou bem chateada. Muito mesmo. Não tem como explicar muito sem dar spoilers, então: o grupo de rompeu porquê uma das meninas do grupo, Branca, diz que Tsukuru a estuprou. Ela de fato foi estuprada, mas não por Tsukuru, mas em nenhum ponto alguém tentou buscar quem a estuprou de verdade ou porquê. Mais tarde, ela é assassinada e ninguém pensa em buscar a pessoa que potencialmente a estuprou muitos anos atrás. Ela fez essa acusação porquê tinha problemas mentais. Enfim, só a explicação de falsa acusação de estupro já me deixa chatinadíssima, porque isso acontece com muita frequência na ficção e não tanto na vida real. O pior para mim foi que todos os amigos "sabiam" que não tinha sido Tsukuru o estuprador, porquê ele "não faria nada assim". Ugh. Fim do spoiler.
   Outra coisa que não gostei nem um pouco: a descrição do Murakami das mulheres. Não sei se isso é algo cultural e para os japoneses isso é normal (não li o suficiente de literatura japonesa para saber), mas foi bem estranho estar no meio de uma conversa interessante, com um tema denso e de repente o personagem estar pensando nos seios da mulher com quem ele conversa, descrevendo o quão cheio de vida eles parecem. E não é nem tão sexualizado, é apenas comentando a maneira como os seios dela se parecem. Aliás todas as descrições sexuais são meio estranhas para mim.
  Enfim, foi um livro interessante porquê acho que o Murakami consegue escrever bem e te transportar para um estado não muito feliz, mas real. Só que os problemas, para mim, foram bem grandes, principalmente porque não faz muito sentido.


#59 | The Female of The SpeciesMindy McGinnis | EN
“You see it in all animals - the female of the species is more deadly than the male.'
'Except humans.”
   Li "Uma Loucura Discreta" dessa autora e gostei muito. Então quando esse livro foi lançado ano passado eu comprei de uma vez, mas ao descobrir melhor sobre o que o livro falava (sim, comprei livro sem saber bem do que era), acabei deixando a leitura pra mais tarde.
   A história segue três personagens: Alex, uma menina quieta, cuja irmã foi estuprada e assassinada brutalmente há alguns anos e seu assassino ficou solto. Então ela fazer justiça com as próprias mãos. Também seguimos outros dois personagens: Peekay, a filha do pastor, que se aproxima de Alex ao realizarem um trabalho voluntário juntas e Jack, o garoto estrela da escola.
   Vamos lá: é uma história brutal. Dá pra ver nos capítulos da Alex o quanto o que aconteceu com sua irmã a afetou e não de uma maneira "esperada". Ela se torna quase uma sociopata - sendo que essa nem é a palavra certa, porquê ela se importa com as pessoas e não sente apatia - e tem episódios onde surta com violência, mas sempre voltada a homens estupradores. É uma história necessária, mas nem por isso deixa de ser menos incomoda. Logo nas 60 primeiras páginas temos vários dados jogados na nossa cara - uma entre cinco meninas seria estuprada, o que logo vira piada quando "preferem" que seja a bonitona. E que algum daqueles meninos que riam da piada seria um dos estupradores. São coisas que a gente evita falar para jovens, mas são a verdade. Essas piadas e esse ciclo se repetem.
   Uma coisa bem legal é a maneira como o livro mostra os jovens - parecem bem reais e não os estereótipos que quase sempre aparecem por ai. O cara que ama uma menina mas quer muito ficar com a outra. A moça recatada que não é tão santa assim. Outra coisa bem legal é como ele dá um tapão nos nossos próprios preconceitos contra mulheres. Odeio aquela vaca porquê ela roubou meu namorado. Mas seu namorado não teve culpa alguma? Ela é muito vadia. Porquê gosta de fazer sexo. Ou como alguns comportamentos são aceitos porque são homens fazendo. Sendo que essas coisas não são cobradas ou ditas para eles:
“But boys will be boys, our favorite phrase that excuses so many things, while the only thing we have for the opposite gender is women, said with disdain and punctuated with an eye roll.”
   Esse livro me faz pensar naquilo que pra mim é muito difícil: mesmo uma pessoa fazendo uma coisa ruim, ela pode ser uma coisa boa? Por exemplo em Dexter: ele é um assassino, mas ele mata apenas pessoas que "merecem", como outros assassinos, ladrões, estupradores. Enfim. E aqui é meio similar. A Alex mata um cara que fez coisas horríveis, mas isso a torna menos mal? A resposta moralmente correta seria sim. Mas vivendo na sociedade em que vivemos, onde mulheres são estupradas e crianças são molestadas e seus agressores saem livres, quem nunca pensou na possibilidade de dar um jeito na situação por si mesma? É horrível, mas é a verdade (pelo menos para mim).
   Fiquei muito confusa depois de ler esse livro. Não sei bem o que falar.



#60 | Anna Karenina | Liev Tolstoi | EN
All happy families are alike; each unhappy family is unhappy in its own way.
   Levei um tempo também para ler esse livro pois mais de OITOCENTAS páginas. OITOCENTAS E CATORZE PAGINAS. Acho que é o livro mais longo que eu já li na vida. E não posso falar que é daqueles que você "nem vê passando". Essa edição, que paguei exatos zero reais, tem as letras bem pequenas e a narrativa é bem densa, então uma página valia por umas 5 de um livro normal.
   Ainda assim: eu amei esse livro. Mesmo. Sempre que eu penso em clássico penso em dilemas morais, páginas e páginas de reflexões filosóficas. A verdade é que esse livro é meio que um novelão, mas que trás muita reflexão mesmo.
   Diferentemente do que eu achava, temos dois personagens principais aqui: Anna Karenina, uma mulher aristocrata da Russia que acaba se envolvendo em um caso extra-conjugal com um militar bonitão. E por outro lado temos Levin (que alguns dizem que é uma representação do próprio Tolstoi), um homem apaixonado e recluso. A história corre essas duas "famílias" - aliás, relações familiares são o centro desse livro, como já deixa claro desde a primeira passagem (acima).
   Uma dificuldade: nomes. Tem um episódio de Gilmore Girls que o Dean diz que é impossível como o nome de todos os personagens terminam com "sky". Rimos e eu sofri muito para ler. Pra mim essa nem é a pior parte, mas sim a coleção de consoantes que vem até chegar no sky. No final eu precisei fazer uma folhinha pra lembrar quem era quem, tirando os personagens principais.
   Outra coisa é que por eu ter lido em inglês, muitas partes onde o Levin está discorrendo sobre suas idéias sobre os trabalhadores e sobre a agricultura foram muito difíceis e se tornaram chatos demais. Acabou quebrando o ritmo de leitura.
   A verdade é que eu não sei bem o que falar sobre esse livro, sinto que qualquer coisa que eu escreva não vai definir bem o que eu achei. Vou ser sincera que eu tenho um negócio de que quando o livro é muito longo e eu demoro demais para ler, eu sinto que acabo ficando um pouco agoniada e pensando "meu deus esse livro não acaba mais?" por mais que eu esteja amando. E esse foi o caso. Cheguei a fazer uma meta onde eu tinha que ler X páginas por dia para poder terminar. E apesar de ter amado o livro isso quebrou um pouco o encanto. Vou tentar reler em português mais para frente.

#61 | A Ilusão do Tempo | Andri Snaer Magnason | PT
- Você acredita ter conquistado o mundo, mas eu lhe digo uma coisa: ninguém conquista o mundo se não pode conquistar o tempo!
   Estou fazendo um projeto secreto porque sou a rainha de começar coisas e não terminar. Então me interessei bastante por esse livro, não só pela sinopse, mas por ser escrita por um Islandês.
   Os economistas prevem um período muito difícil, então grande parte dos seres humanos, incluindo a família de Vitória, decide entrar dentro de caixas misteriosas e acordar apenas quando os tempos forem melhores. Porém, passado alguns anos, Vitória acorda numa cidade fantasma - tomada pela natureza e animais. Ela encontra algumas outras crianças e uma senhora, que coleciona lendas sobre a Pangéia e a princesa Obsidiana e então passa a contar a história para essas crianças.
   Ou seja, temos duas linhas de tempo - de Vitória ouvindo a história e da história sendo contada - a história sobre três irmãs, animais e um rei apaixonado que decide conquistar o mundo e o tempo e sua filha. A história não é sutil na crítica aos adultos que passam muito tempo trabalhando para construir uma vida boa para seus filhos, sem sequer passar tempo com eles. E também na critica de que os dias precisam ser vividos, bons ou ruins. Pessoalmente gostei muito mais da história de Obsidiana. É um drama muito mais palpável e eu sinto que por passarmos mais tempo nessa linha do tempo, dá para se importar muito mais com os personagens do "conto de fadas" do que da vida real.
   Uma das coisas bem legais do livro é como ele consegue navegar pelos gêneros facilmente. Uma hora é de aventura, outra de fantasia, outra de ficção cientifica. O autor - que concorreu para a presidência da Islândia (cada um tem os candidatos que merece) - é ambientalista e suas visões também podem ser notadas ao longo do livro.
   Acho que foi um livro que trouxe umas reflexões legais, nada de novo, porém sinto que algumas coisas nós precisamos ser constantemente lembrados. Minhas ideias ficaram super bagunçadas, mas se quiser ler uma ótima resenha, clique aqui.

#62 | Para Ler Como um EscritorFrancine Prose | PT
A frase bem-feita transcende tempo e gênero. Uma frase bonita é uma frase bonita, não importa quando tenha sido escrita, ou se aparece numa peça ou num artigo de revista.
   Depois de ganhar o Nanowrimo ano passado eu resolvi ler sobre a escrita e esse livro aparecia por ai em vários lugares. Vou ser sincera: não achei tão bom. Ele é bem técnico e a autora disseca passagens de outros livros quase que palavra por palavra, linha por linha. Achei essa parte bem interessante. Ainda assim, é um livro que talvez eu não estivesse preparada para ler.  Senti que foram muitas linhas para poucas ideias novas.
   Ainda assim achei interessante como ela divide os capítulos e fala sobre personagens, narrativas, diálogos, tudo separadamente. É um livro interessante, mas achei muitas partes chatas. Talvez seja legal algumas partes apenas. Só que não sei se vou participar do Nanowrimo esse ano, já que estou me sentido bem desanimada com a escrita.


09 outubro 2017

Say it soft and it's almost like praying

Ou: um post sem fotos e cheio de desabafos.

Quando voltei de viagem eu estava super animada com a vida. Senti que não tinha nada errado e apenas o céu era o limite. Nada pode me parar.

Vida:

Então começou o pior mês da minha vida.

Descobri que minha cachorra tem uma doença tensa, mas que dá para ser curada com alimentação regrada. Passei semanas indo quase diariamente na veterinária (ela já tá como contato na minha agenda), gastei quase meu salário todo (não é brincadeira) em ração, remédio, água de coco e soro. 

Mas ai depois de fazer tudo isso, vai melhorar não é mesmo?

Vida:


Nas outras semanas tive que abrir meu primeiro boletim de ocorrência, ir ao banco resolver um monte de coisas (aliás, preciso voltar no banco, porque com minha cabeça do jeito que tá, troquei a senha e não me lembro qual coloquei e travei o cartão).

Pra piorar, descobri que minha cachorra tem outro problema, decorrente do problema anterior. Passei todo esse tempo fazendo tudo isso e ela PIOROU.

Não tenho fotos minhas dessas últimas semanas, mas posso garantir que está muito similar a isso aqui:

Euzinha:

No sábado eu briguei com meu namorado porque ele tomou uma cerveja. Depois de sair com os amigos eu percebi o quão ridícula eu estava sendo. Chegou no ponto onde eu estava dirigindo 2 da manhã enquanto chorava e quase bati o carro.

A vida não tem sido fácil, mas a gente precisa continuar. Minha única vontade tem sido de dormir. 


Eu queria fazer um post cheio de textos, colocando todos os meus sentimentos e exercitando minha escrita, mas chegamos ao ponto de WHO CARES, vou usar todos esses gifs e pronto. Mas também cheguei no ponto onde eu não aguento mais e como ir embora não é uma opção, eu vou dar na cara da vida e falar QUERIDINHA olha aqui. 

Chega disso, me recuso a deixar isso piorar. 



24 setembro 2017

turn and face the strange

Voltei a são paulo e aqui está exponencialmente mais quente do que estava quando eu sai. No começo do ano tinham dito que esse seria o inverno mais rigoroso dos últimos anos e, sem surpresas aqui, a previsão estava errada.

Eu fui viajar, uma das coisas que eu gosto muito de fazer além de ler, dormir e comer. Fui à Santiago e não sei explicar o quanto essa cidade me surpreendeu.Eu não esperava muito, é verdade, mas a cidade é extremamente limpa, as pessoas são simpáticas e te ajudam com tudo e tudo, no geral, é muito bonito e organizado. Me parece São Paulo, se fosse bem cuidada e cheia de parques.

(isso é uma das coisas que eu odeio em são paulo: a falta de parques urbanos e a dificuldade de acesso aos parques existentes. mas isso é um assunto para outro post.)

Não sei muito bem o que falar sobre minha viagem. achei que ia ser tempo demais, mas poderia ter ficado mais um mês, caso eu tivesse dinheiro o suficiente. Para ser sincera eu ficaria o resto da minha vida, se eu pudesse. Essa foi a viagem onde muitas coisas não ocorreram como eu achava. Achei que ia estar mais frio, mas a temperatura estava boa. Achei que ia ter uma companheira, mas acabei experimentando o tipo de solidão que eu não gosto (do tipo em que você não escolheu ficar sozinho - só foi trocado por algo mais legal). Achei que seria mais do mesmo, mas acabou que foi bem diferente de tudo que eu já fiz.

Essa foi minha primeira viagem sem meus pais ou "responsáveis" - uma viagem longa, para outro país aonde eu não sabia falar o idioma, aonde eu precisaria tomar minhas próprias decisões e me virar.

Na terapia a gente precisa pensar em algumas coisas que são difíceis e para mim uma delas é fazer as coisas por conta própria. Ou melhor, por iniciativa própria. mais cedo esse ano eu percebi que quase tudo que eu fiz na vida de diferente foi porque outras pessoas me forçaram a fazer. Só tirei a carta e comecei a dirigir porquê meu pai não parava de me encher. eu me formei e trabalho em áreas relativamente seguras para mim, porquê ninguém me forçou a fazer o que eu realmente queria.

A viagem me fez refletir bastante sobre isso e a agir. Quando as coisas davam errado eu precisava me virar e continuar - não tinha ninguém para arrumar por mim. Foi assustador (não só pela experiencia nova, mas porque a situação que eu passei foi bem assustadora e eu achei que ia morrer. Um dia conto sobre isso. Não peguem taxis em santiago).

Quando eu desci do avião dez dias depois de sair, eu não era a mesma pessoa. Isso é clichê demais, mas é a verdade, no meu caso. Não que eu tenha mudado drasticamente, mas uma pequena mudança aconteceu dentro de mim. Revirei os olhos ao reler isso, mas é engraçado. Mesmo a companhia (ruim) surtiu um efeito em mim. E a vontade de voltar a vida normal ficou cada vez menor.

Mas a vida segue. E, um dia, vou voltar à Santiago.

Vou dar algumas dicar aqui porque consegui várias dicas legais em blogs por ai: a melhor agencia que contatei foi a Indo ao Chile. É mais caro, mas vale a pena. A pior foi a AlphaTur, que contratamos em uma casa de cambio e trocaram o horário do passeio sem nos avisar. Acabamos perdendo o passeio e quase uma manhã toda.

Já falei mas vale repetir: não peguem táxis. Vão a pé, chama um uber, cabify, aprendam a voar, mas não peguem táxis. O metro é muito bom, mas você precisa comprar o bilhete pra aquele horário, então não compre adiantado. Se quiser usar ônibus, você precisa do cartão BIP, que também pode ser usado para o metro.

Vale a pena conhecer os pontos turísticos. Cerros, pátio bella vista, bairro Lastarria. Seja turista. Outros que eu não tinha ouvido falar mas valem a pena: Biblioteca Nacional (linda mesmo!) e o restaurante Barandiarán, que fica ao lado do Como Agua para Chocolate (que não fui e ainda por cima fomos quase jogadas para fora) e é muito delicioso. E vale muito a pena ir na casa do Neruda. Meu arrependimento foi não ter ido a todas as casas dele. Faça tudo isso a pé. Santiago é plana e dá para caminhar muito e olhar tudo.

Aliás sobre os "arredores": Valparaíso e Viña del Mar são lindos, mas vai ser muito difícil fazer tudo sozinho. Se quiser pegar um ônibus até a cidade e fazer um city tour é legal, senão fechar um pacote também é uma boa (acho que com a Indo para o Chile ia ser muito legal! Fui com a AlphaTur e não gostei muito, apenas o guia que é muito legal, mas o resto foi chatinho e tivemos que almoçar num restaurante pré-definido que foi caro e não tão bom).

Aluguei um airbnb no centro e fiquei com medo de ser meio perigoso, mas na verdade foi bem tranquilo. Segundo os chilenos que conheci eles é muito difícil ter assaltos a mão armada, o que é uma realidade para brasileiros. O airbnb ficou barato e deu para cozinhar, apesar de seus problemas (aka: banheiro que inundava).

No geral as pessoas são muito legais e vão tentar te ajudar sempre que possível. É raro gente que fala inglês, mas um portunhol já dá pra se virar. Uma coisa que fiquei chocada é o quão rápido os chilenos falam, fora as inúmeras gírias que usam cachai? Entendo espanhol bastante bem e tive muitas dificuldades. Se eles não quiserem que você os entenda, você não vai entender.

A definição de surra de fotos foi atualizada:

























 (todos vem as viagens que eu faço mas não vem a farofa que eu preciso fazer pra viajar)











































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